SER DIZIMISTA TAMBÉM É SER UMA BENÇÃO

(Gn 12.2; 14.18-20)

INTRODUÇÃO

Abraão viveu 430 anos antes da Lei ser promulgada no Sinai, e chamado por Deus, saiu de sua terra natal, Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia, para ir a uma terra desconhecida, com a promessa de que seria pai de uma grande nação (At 7.2-4; Gn 12.1-3; Hb 11.8), o que justificou a mudança do seu nome de Abrão para Abraão (Gn 17.5). Nele todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12.2). Em Romanos 9.4 e 5, é possível percebermos a grandeza das bençãos divinas que alcançariam o mundo por meio de Abraão. Tais bençãos teriam seu ápice no plano redentivo por meio do Cristo, o maior e mais ilustre descendente abraâmico. De posse das promessas, e vivendo pela fé (Hb 11.8-10) tornou-se, não somente, o pai do povo hebreu segundo a carne (Rm 4.1; Hb 11.11,12), mas também de um incontável número de filhos espirituais espalhados pelo mundo, os quais comungam a mesma fé no Deus Todo-Poderoso (Hb 4.11,12; Gl 3.6-9).

I – ABRAÃO, O PRIMEIRO DIZIMISTA BÍBLICO

Deus declarou que o velho patriarca era seu amigo (Is 41.8). Que coisa linda! A fé exercida por Abraão fez com que ele alcançasse da parte do Todo-Poderoso tal testemunho e confiança. No exercício da sua fé foi abençoado e abençoador (Gn 12.2).  Foi o primeiro dizimista bíblico (Gn 14.18-20), e certamente, a maior inspiração para Jacó, seu neto. Este, ao se encontrar com o Deus em Betel (Gn 28.10-13), fez o sábio voto de ser dizimista em gratidão por todas as bençãos que receberia da parte do Senhor (Gn 28.20-22). Consequentemente, os israelitas, como filhos de Abraão segundo a carne, foram dizimistas, não apenas por força da lei (Lv 27.30-32), mas também pela fé que gerou neles a generosidade (2Cr 31.4,5 – NVI). A fé é virtude indispensável na vida de um filho de Abraão, o amigo de Deus (Tg 2.21-23). Em Hebreus 7.1-10, Abraão é lembrado por sua fidelidade em dar seus dízimos de tudo.

II – OS FILHOS DE ABRAÃO E A SUA FÉ

Ora, nós que somos filhos de Abraão pela fé (Gl 3.7), devemos ter em nossos corações a profunda convicção de que ser dizimista é um ato de generosidade e, isso está intrinsecamente associado à fé. Dizimar sem considerar a fé é reprovável diante do Senhor (Mt 23.23). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6), pois o que não procede da fé é pecado (Rm 14.23). Nas Escrituras o testemunho é claro sobre Abraão: “Abraão creu no SENHOR” (Gn 15.6; Rm 4.3). A palavra hebraica para crer é o verbo `aman, que significa “firme”, “fiel”. Deste verbo temos a palavra emunáh, que por sua vez é traduzida como “fé” e “fidelidade”. Tal definição se aproxima de “obediência” e isso está alinhado com aquilo que aprendemos nas Escrituras: Pela fé, Abraão tornou-se fiel dizimista e exemplo de obediência para os crentes de todos os tempos que andam em suas pisadas (Rm 4.12). Assim sendo, Abraão é nossa referência, nosso exemplo, e modelo dos fiéis. Por isso, Jesus deixou muito claro que aqueles que são filhos de Abraão, praticam as obras de Abraão (Jo 8.39).

II – A FALTA DE FÉ DOS FILHOS DE ABRAÃO

Em Malaquias, a perícope que trata do dízimo é introduzida por uma solene advertência ao povo judeu por abandonarem os estatutos de Deus, e um convite de retorno para o Senhor (Ml 3.7). Os filhos de Abraão abandonaram a fé, e consequentemente, a prática do dízimo, roubando ao Senhor (Ml 3.8,9). Que tristeza, o povo de Deus roubando a Deus! Mesmo agindo assim, não aceitavam tal realidade. Foi preciso que o próprio Senhor os confrontasse: “… vós me roubais… Nos dízimos e nas ofertas”. Com base neste texto, é comum ouvirmos muitos pastores “cobrando” dízimos (dízimo não é para ser cobrado, é para ser ensinado) dos irmãos chamando-os de ladrões. Todavia, o Senhor não chamou os judeus de ladrões, e sim de roubadores. Qual a diferença? É na legislação mosaica que vamos encontrar a diferença. Vejamos:

  1. Ladrão é aquele que subtrai a coisa alheia, invadindo o domicílio (Ex 22.1-4);
  2. Já os roubadores são aqueles que retém indevidamente algo que não lhes pertencem, mas que está em suas mãos (Lv 6.1-7). Assim procedem os não dizimistas (Ml 3.8,9).

Apenas com a finalidade de lançar mais luz ao comentário, posso citar 1 aos Coríntios 6.10, onde Paulo faz distinção entre ladrões e roubadores elencando-os no mesmo versículo. E, no capítulo 7.5 da mesma epístola, ensinando sobre a relação intima do casal, o apóstolo trata do roubo como algo retido sob o poder de outro, dizendo: “Não vos priveis reciprocamente…” A palavra grega para “priveis” é apostereo, que significa “roubar”, ou seja, o esposo ou esposa jamais deve eximir-se da responsabilidade de pagar ao seu cônjuge o que lhe é devido.

Infelizmente, de igual modo, há muitos crentes e não poucos obreiros, e pastores que se consideram filhos de Abraão pela fé, mas, que à semelhança do povo de Judá, estão roubando a Deus, não lhe devolvendo o que é lhe é devido. Em levítico 27.30, a Escritura diz: “Todos os dízimos da terra, seja dos cereais, seja das frutas, pertencem ao SENHOR; são consagrados ao SENHOR”.

Os crentes que não são dizimistas laboram em grave erro, pois, além de serem roubadores, estão debaixo de maldição (Ml 3.9). Coisa triste é um crente amaldiçoado por roubar a Deus, e mais triste ainda quando se trata de obreiros, pastores, os quais estão à frente do trabalho, vivendo dos dízimos, mas não dizimando. Isso é no mínimo contraditório. Os que assim procedem, servem de mau exemplo para o rebanho. Tal comportamento confronta seriamente as palavras do apóstolo Pedro que incentiva os tais a servirem de exemplo para o rebanho (1Pd 5.3). É bom que atentemos para as palavras do sábio: “A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda” (Pv 11.24).

CONCLUSÃO

Ao nosso Pai na fé, o Senhor disse: “… e tu serás uma benção” (Gn 12.2); “… em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Que assim sejamos, e que assim sejam as igrejas que estão sob os nossos cuidados pastorais. Em Gálatas 3.9, lemos: “De sorte que os da fé são abençoados com o crente Abraão”. Que Deus nos ajude a seguir os passos desse grande homem (Rm 4.12), o qual em razão de sua fé e obras, foi uma benção para o mundo. Que de igual modo, sejamos uma bênção para a obra do Senhor, como fiéis mordomos (1Co 4.2). Amém!

Pr. Enilson Tavares – Líder da AD em Presidente Juscelino/MA